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Nacional Vai uma greve? Segunda-feira, 11.10.2010 - 11:25 (GMT) ![]() A falência de instituições financeiras, os pacotes anti-crise, o aumento da idade da reforma, o congelamento e redução de salários, o desemprego e a exclusão social tem obrigado milhões de trabalhadores a marchar lado a lado um pouco por todo a Europa, num movimento que pouco a pouco ganha contornos transnacionais. Depois das manifestações no Porto e Lisboa, que reuniram 70 mil pessoas, Portugal tem agendada uma greve geral para 24 de Novembro. A exemplo de Portugal, as centrais sindicais espanholas marcaram para o próximo dia 12 mais uma greve geral, a segunda em menos de duas semanas. Recorde-se que no passado dia 29, a Espanha viveu a primeira greve geral em oito anos, que, segundo fontes sindicais, mobilizou mais de 10 milhões de pessoas, ou seja metade da força de trabalho do país, perante a indiferença do governo. A jornada de luta acabou em confrontos com a polícia em várias cidades espanholas, designadamente em Vigo e Barcelona. José Luis Zapatero avisou já que não recua nas medidas de austeridade de forma a reduzir déficit público imposto por Bruxelas. Na Polónia, milhares de pessoas manifestaram-se nas ruas e frente à sede do governo, exigindo a subida do salário mínimo e protestaram contra o congelamento dos salários e o aumento do IVA. Na Grécia, o governo continua a ver milhares de manifestantes na rua contra o pacote anti-crise e confrontar-se com greves dos médicos e dos transportes. Os sérvios também desceram à rua, neste caso contra um projecto de lei sobre as pensões e contra a situação económica. Já na Eslovénia cerca de 50 por centos dos funcionários públicos protestam contra o congelamento salarial. BETONEIRA… CONTRA BANCO Em Dublin, Irlanda, manifestantes atiraram um betoneira coberta de slogans ‘antibancos’ contra a entrada do Parlamento. A betoneira, que tinha a inscriçãp ‘toxic bank anglo’, em alusão ao Anglo Irish Bank, nacionalizado o ano passado, não provocou danos. Foram precisas três horas para o retirar do local. O governo irlandês pretende injectar 30 mil milhões de euros naquele banco, cerca de 20 por cento do produto interno bruto daquele país. Na Islândia foram os ovos e os tomates as ‘armas’ que os manifestantes usaram contra a fachada do parlamento para demonstrar o seu descontentamento. Com cerca de 25 % da população a não conseguir pagar o crédito à habitação e o desemprego a atingir taxas avassaladoras, a população exige a responsabilização dos dirigentes políticos, que, acusam, nada fazerem para pôr cobro à crise financeira. O resultado foi o colapso dos três maiores bancos, a dívida de 50 mil mihões de euros e a queda de 90% da bolsa. O próprio governo declarou a bancarrota. PAROU A ira dos manifestantes (onde se incluíam delegações sindicais francesas, alemãs e polacas) dirigia-se contra o facto de o governo ter usado milhares de milhões de euros para salvar bancos, enquanto o cidadão comum tem de aceitar os cortes nos gastos públicos. “Este é o começo da nossa luta, não o final. Que nossa voz seja ouvida é a nossa grande exigência hoje - contra a austeridade e pelos empregos e o crescimento”, avisou John Monks, presidente da Confederação Europeia de Sindicatos, durante o protesto, que acabou com a detenção de mais de duas centenas de manifestantes. FRANCESES NA RUA Em França, os protestos contra o aumento da idade de reforma dos 60 para os 62 anos não cessam, enquanto a popularidade do presidente Sarkozy continua em queda. A última jornada de luta, que se traduziu em 229 manifestações em todo o país contou, segundo fontes sindicais, com cerca de 2,8 milhões de participantes, entre trabalhadores do sector público, privado e estudantes. Os protestos contra o aumento da idade da reforma são já comparados ao Maio de 68, embora não tenham o carácter ideológico e de ruptura daquele movimento estudantil/operário que varreu a sociedade francesa. DO CAOS
E por quê? Esta é a pergunta que muitos fazem. Se para uns se está perante a “falência do sistema capitalista” como apregoa a extrema-esquerda, outros, como Mário Soares, responsabilizam “o capitalismo sem rosto humano” enquanto o Vaticano (entre outras confissões religiosas) prefere falar da “perda de valores”; já algumas vozes do sector empresarial apontam o dedo aos mercados asiáticos (China e Índia, nomeadamente). Há quem assaque as culpas à Globalização, como clamam os movimentos anti-globalização, e há mesmo quem desconfiem que por detrás da falência das economias europeias (e mundiais) está o dedo de uma obscura “central de barões das finanças e da indústria” que manipula a seu bel-prazer e economia internacional (como apregoam as teorias da conspiração). Para muitos analistas, no entanto, o que na verdade se está assistir é a uma guerra entre duas ideias: a que defende o Estado Social (esquerda) e o neo-liberalismo (direita) com as suas medidas “tendencialmente” privatizadoras do ensino, da educação e dos sistemas de segurança social, sectores cuja gestão e financiamento têm pertencido na esmagadora dos países europeus ao Estado. gualtieri
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